Claret Contigo

Claret Contigo – 03 de julho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

03 de julho de 2020

“Só a religião católica, divina em sua origem, divina em sua propagação, divina em sua conservação, é a que diz ao homem: respeito à autoridade e uso legítimo da razão, conforme lemos nas Escrituras sagradas: comecem sujeitando, diz São Paulo, o entendimento à fé e creiam que esta atitude seja razoável” (O Trem, Barcelona, 1857, p. 30).

FÉ E RAZÃO

Paulo, na carta aos Romanos, afirma a origem divina da autoridade quando a autoridade é constituída legitimamente para o bem comum (cf. Rm 13,4s); portanto, deve ser respeitada. Mas um pouco antes (12,1s) nos fala do uso legítimo da razão para saber discernir.
Não podemos esquecer em que campo nos movemos, dentro de um âmbito cultural muito amplo, invadidos por um modo de vida no qual Deus é o grande ausente. Não se trata simplesmente do reconhecimento da justa autonomia das realidades temporais em suas instituições, algo que é inteiramente compatível com a fé cristã e até diretamente favorecido e exigido por ela, como muito bem disse o Concílio em sua Constituição sobre A Igreja no Mundo Atual (cf LG 36). O que é inaceitável é o esquecimento da necessária relação do criado com seu Criador, o ateísmo prático, quando não teórico também.
De fato no ocidente vivemos em um ambiente cada dia mais laico, no qual não só se exclui Deus e sua presença na vida cotidiana, mas se convida a pensar que só é válido o que é susceptível de verificação empírica, o que se pode medir, contar ou pesar, ou o que é construído pelo ser humano. Induz, além disso, a fazer da liberdade individual um valor absoluto, ao qual tudo o resto deve submeter-se.
Como crentes devemos sentir-nos chamados a respeitar a autoridade, sim, como respeitamos toda pessoa humana. Mas no exercício dos deveres e direitos cívicos devemos fazer uso legítimo da razão para saber discernir se o que nos ordena está conforme à nossa fé e seus valores éticos ou, pelo contrário, se opõe.

Como vivo minha fé cristã em meio a uma sociedade laica, descrente, com frequência indiferente diante dos valores religiosos e, às vezes, dos meramente humanos? Como vivo meus deveres cívicos? Pretendo fazer compatível o incompatível, ou, desde minha fé, me distancio criticamente do desumano e exerço a devida denúncia profética?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 02 de julho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

02 de julho de 2020

“[Maria] é o canal condutor do céu por onde passam todas as graças que precisamos para que nos separemos do mal e façamos o bem. Ela é a porta do céu, canta a Igreja; e ninguém alcança misericórdia do Senhor senão por sua mediação, diz São Germano, patriarca de Constantinopla. Por este motivo você deve encomendar-se todos os dias a Maria Santíssima e tributar-lhe alguns obséquios (…), sobretudo, procure imitar suas virtudes, a humildade, a mansidão, a pureza e o amor que Ela teve para com Deus e para com o próximo” (Caminho Reto, Barcelona, 1846, p.43).

MEDIAÇÃO DE MARIA

Maria, mulher da nossa raça que mereceu o apelativo de crente como se de um nome novo se tratasse. “Bem-aventurada és tu que creste” (Lc 1,45), disse a comunidade cristã do século I a Maria por boca de Isabel. Com isto é reconhecida e proclamada como a Mãe do Senhor e a crente bem-aventurada; e, no Magnificat, Maria expressa sua experiência profunda, pessoal, íntima de que Deus tem feito grandes coisas nela. É uma confissão de fé e de reconhecimento da sua pequenez. Tudo é dom gratuito de Deus.
O Concílio falou da missão materna de Maria para com toda a humanidade. Maternidade que se eterniza no tempo, desde o momento que ela disse SIM na anunciação, ela o manteve ao longo da sua vida até o pé da Cruz e continua mantendo-o de uma forma nova até a consumação de todas as coisas em Cristo.
A mediação de Maria se apoia em Jesus e fomenta nossa união a Ele. Diz o Concílio: “Assunta aos céus, não deixou esta missão salvadora, mas com sua intercessão continua obtendo-nos os dons da salvação eterna. Com seu amor materno cuida dos irmãos do seu Filho que ainda peregrinam e se acham em perigo e ansiedade até que sejam conduzidos à Pátria Bem-aventurada” (LG, 62).

Maria é o caminho mais curto para chegar a Jesus. O que a ela pedimos, Jesus o faz: “Fazei o que Ele vos disser” diz Maria aos servidores das Bodas de Caná, e o vinho novo correu abundante, de tal modo que deu lugar a que o organizador do banquete fizesse uma chamada de atenção ao noivo no dia do seu casamento: “é costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora”. (Jo 2,10). E vinho que dá Jesus, o vinho bom, é o amor entregue.

Quem é Maria para você? Você a considera entre as coisas mais apreciadas como o discípulo amado declarou ao pé da Cruz?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 01 de julho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

01 de julho de 2020

“Amanhã saio a um povoado chamado Pinto a pregar e confirmar e depois irei para Alcalá, para fazer o mesmo, e no dia 15 para Santander, onde espero saciar-me, pois sei que estão me esperando com muita ânsia os sacerdotes, as religiosas e o povo…” (Carta ao V. P. Jaime Clotet, 1º julho de 1861, em EC II, p. 321).

FOME DE EVANGELIZAR

Vivemos em uma época frenética. É difícil para um pouco, por causa do trabalho e por causa dos maus hábitos adquiridos; o ativismo, a ansiedade, os nervos nos devoram. Quando em teoria teríamos tempo para parar um pouco a fim de poder refletir, orar, nós nos sentimos incapazes de fazer isto.

A verdade é que, por causa das condições da vida moderna, perdemos muito tempo em deslocamentos de um lugar para outro, sobretudo, nas grandes cidades. Mas, às vezes, mais que tempo material, nos falta é tempo psicológico; pensemos no tempo que empregamos para ver TV, navegar na internet, falar pelo celular sem motivo, etc. Talvez nos falte organização, método, vontade de dar o melhor de nós mesmos, vivendo intensamente cada momento da nossa vida.

Claret, trabalhador infatigável pelo temperamento, enamorado de Cristo e totalmente entregue à missão evangelizadora, viveu um acertado equilíbrio entre um ritmo de trabalho assombroso e uma grande entrega à oração diária, que lhe dava sentido. Quando aceitou o cargo de confessor real, colocou condições, entre outras, de que não o fariam perder tempo, pois, confessaria a Rainha e faria o catecismo para a Infanta, e o resto do dia ficaria para seu sagrado ministério. Foi-lhe concedido, mas a permanência em Madri lhe deixava a impressão de estar preso em uma gaiola. Por isso as grandes viagens de verão dos Reis eram para ele um grande alívio; livremente organizada o seu serviço de evangelizador. Na viagem a Santander, de que fala nesta carta, fez uma homilia durante a longa espera do trem em uma das estações: vendo que havia bastante gente na plataforma, lhes pregou desde a janela do mesmo trem.

Seria útil, ou melhor, necessário, examinarmos frequentemente e com sinceridade o que fazemos ou não fazemos com nosso tempo, quanto aproveitamos e quanto perdemos, quanto dedicamos à oração, ao apostolado, ao serviço da caridade.

Fonte: Ser Claretiano.

Claret Contigo – 30 de junho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

30 de junho de 2020

“Mas o que mais me entusiasma é o zelo do Apóstolo Paulo. Como corre de uma a outra parte, levando em vaso precioso a doutrina de Jesus Cristo” (Aut 224).

ENTUSIASMO

O zelo de São Paulo foi um dos incentivos que mais fortemente moveram a vida apostólica do Padre Claret até o final dos seus dias. Paulo o entusiasmou (um verbo em cuja raiz se recolhe certo sentido divino: “se endeusou”, poderíamos traduzir livremente). Como para Paulo, Cristo para Claret lhe fez perder o sono, enchendo-o de zelo. O zelo missionário é o amor de Deus em forma de solicitude sem medidas pelos outros. É o amor de Deus “descontrolado” por um dom inexplicável de entrega. Seu matiz é a urgência. Deve-se fazer o bem, fazê-lo já, fazê-lo superlativamente: o melhor.
Tem seus efeitos inconfundíveis. Faz ver o próximo de uma maneira distinta e transfigurada. Tudo nele aparece belo, até os defeitos. Em sua presença se chega a sentir-se indigno, porque o amor verdadeiro gera sempre humildade. Coloca asas nos pés e se deslancha numa atividade poderosa e incansável para fazer o bem a qualquer preço. Tão forte é sua capacidade que chegam a mudar de hábitos de vida e o que parecia difícil e custoso se transforma misteriosamente em suave e agradável. Uma pessoa enamorada jamais se rende diante da dificuldade, não sabe calcular o tempo nem os bens, não se detém diante da dificuldade, espera contra toda esperança. E, embora não alcance seus objetivos, dá por bem empregado seu esforço. Isto dizia São João da Cruz em uma frase redonda: “O amor nem cansa, nem se cansa, nem descansa”.

Um dia Claret se encontrou com os escritos de São Paulo e encheram um vazio da sua alma. Desde então Paulo foi mestre e amigo de Claret. Não era um personagem de ficção. Pode ouvi-lo com o ouvido do coração. E, como Paulo, frequentou a amizade com Cristo em sua casa que é a Igreja.

Por que não propor ao leitor destas linhas que tome como empenho ler uma das cartas de São Paulo? E por que não convidá-lo a que, ao fazê-lo, recolha alguma das frases que mais o tocaram? Não se arrependerá.

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 29 de junho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

29 de junho de 2020

“Sinto-me muito animado quando leio o que fizeram e sofreram os Apóstolos. O Apóstolo Pedro, no primeiro sermão, converteu três mil homens e no segundo, cinco mil. Com que zelo e com que fervor pregaria!” (Aut 233).

TESTEMUNHA COM PAIXÃO

Em sua edição da Bíblia para sacerdotes e seminaristas, Claret fez imprimir às margens, depois de alguns versículos, uma mãozinha parecida com a que hoje nos ajuda a navegar na internet; com isto assinala os versículos que julga dignos de serem aprendidos de cor. Pois bem, nos capítulos 2 e 3 dos Atos dos Apóstolos, aos quais faz referência o texto que hoje lemos, marca dois versículos, aqueles que ele acha que melhor definem a Pedro: “com muitas outras palavras dava testemunho e exortava” (At 2, 40), e “não tenho ouro nem prata, mas o que tenho lhe dou” (At 3, 6).
Ninguém é totalmente neutro ao contemplar a realidade; olhamos com os olhos que temos, desde a própria sensibilidade e inquietações. Quando Claret lê a Bíblia, nela encontra profetas, apóstolos e, naturalmente, Jesus missionário. Ele se sente chamado como os Apóstolos a ser outro “Servo de Javé”, graças ao qual a salvação chegará aos confins da terra. Aplica-se a si mesmo o texto do Servo e de Jesus: “o Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e me enviou…” (Is 61,1; Lc 4,17).
Pedro ocupa o primeiro lugar entre os seguidores e colaboradores de Jesus; e desde os primeiros dias da igreja o encontramos dirigindo o grupo dos crentes, exortando o povo judeu que acreditava em Jesus, iniciando, na casa do Centurião romano Cornélio, a missão aos pagãos. No chamado “Concílio de Jerusalém”, como dirigente, Pedro abre as portas para a missão universal já iniciada por Paulo e Barnabé. Ele mesmo é apresentado como missionário, “indo por todas as partes” (At 9, 32).

Claret observa estes movimentos e atitudes, vê os resultados da missão e percebe o que deve ser a evangelização em seu tempo e antes de tudo, o que ele deve fazer. Em um sermão Claret lamenta que na igreja há tanta devoção a muitos santos mas nem tanto aos Apóstolos. Emociona-nos o contato com quem colocou as bases e a raiz do nosso ser testemunhas de Jesus?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 28 de junho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

28 de junho de 2020

“Tanto se preocupam os inimigos com a religião e nós ficamos dormindo: eles fazem trabalhar a imprensa dia e noite, em dias de trabalho e nas festas; e nós abandonamos a si mesma a pobre Livraria Religiosa, que tanto bem tem feito e ainda poderia fazer se vocês e os irmãos dessem uma mão de ajuda” (Carta a D. Caixal, 22.8.65, em EC II, p. 923).

NÃO NOS CANSEMOS DE FAZER O BEM (Gl 6,9)

A primeira coisa que nos vem em mente ao ler este fragmento da carta de Claret são as palavras de Jesus: “os filhos deste mundo são mais astutos para suas coisas que os filhos da luz” (Lc 16,8). E a carta se refere a algo de viva e palpitante atualidade, como são os meios de comunicação. O Padre Claret não só exaltou a importância da palavra escrita e amplamente difundida, mas também procurou os meios para que isto existisse, fundando a editora “Livraria Religiosa”.
Nestas linhas existe um tom de queixa: “poderíamos fazer mais e melhor”. “Os que têm interesses menos honestos que nós encontram os recursos para chegar ao grande público e difundir o que pretendem e nós, em troca, ficamos parados”. Acontece que nem todos têm o espírito evangélico, nem o dinamismo ou fogo interior que tinha Claret e isso se nota na hora de estar entusiasmados e de entusiasmar a outros.
Mas o assunto está aí, desafiando nossa imaginação criativa, nossa capacidade de colaborar com outras pessoas e de concentrar esforços a fim de que a palavra evangélica seja difundida por todos os meios que a técnica tem posto à nossa disposição. Com humildade e simplicidade, mas também sem medo nem complexos.
Se as primeiras comunidades cristãs tivessem tido medo dos meios de comunicação da época, hoje não teríamos o Novo Testamento. Se nos limitamos a criticar os atuais meios de comunicação sem fazer um esforço sério para entrar neles de maneira positiva, estamos impedindo que a mensagem cristã chegue a um setor cada vez mais amplo da sociedade, especialmente das novas gerações. Sem dúvida, Claret nos diria hoje a nós: “irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (2Tes 3,13).

A que coisa dedico mais meu tempo e energias, a criticar o que não me parece estar bem ou a fomentar criativamente iniciativas positivas para a construção do Reino de Deus?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 27 de junho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

27 de junho de 2020

“Façamos (…) as coisas como quem serve a Jesus Cristo e não aos homens e desta forma as faremos bem, com bons modos e com boa disposição. E quando o próximo nos fizer a nós algum serviço, também deveremos ver nele Jesus Cristo, como São Pedro quando viu Jesus Cristo a seus pés para lavá-los, que, espantado, disse: Domine, tu mihi lavas pedes?: ‘Senhor, Vós me lavais os pés?’ (Carta ascética… ao presidente de um dos coros da Academia de São Miguel. Barcelona, 1862, p. 15).

VER CRISTO NO IRMÃO

Como se comportou Jesus? O que nos ensina com o seu modo de agir, em seu relacionamento com o próximo? Jesus se situa diante de cada pessoa com a mesma incondicionalidade do amor de Deus. Ele nos ensina a acolher o próximo simplesmente porque é filho de Deus, mais além do seu aspecto ou de suas características pessoais, da sua cultura, posição social, religião ou raça; toma iniciativa para descobrir suas necessidades, coloca-se em seu lugar e o faz sentir-se verdadeiramente pessoa, digno de ser amado. Mais além das suas peculiaridades existe n’Ele algo muito importante, decisivo: é filho de Deus; e que pai não se sente agradecido diante de quem faz um favor ou presta um serviço ao filho?
É mais fácil dar que receber. Receber algo de alguém nos coloca diante dele como “pobres”, em inferioridade de condições. Sempre é menos humilhante receber quando se pode corresponder com a mesma moeda. Receber sem poder oferecer algo equivalente nos coloca diante do próximo com a mesma atitude com que devemos apresentar-nos diante de Deus. A adequada atitude diante Deus é a do pobre que pede, porque nunca poderemos oferecer nada a Deus que não tenhamos previamente recebido.
A providência de Deus age através das pessoas; aquilo que por meio delas recebemos é também dom de Deus. E todos somos instrumentos desta providência. Diz Bento XVI que “quem é capaz de ajudar reconhece que, precisamente, deste modo, também ele é ajudado; o poder ajudar não é mérito seu, nem motivo de orgulho. Isto é graça. Quanto mais alguém se esforçar pelos demais, melhor compreenderá e fará sua a palavra de Cristo ‘somos uns pobres servos’(Lc 17, 10). Com efeito, reconhece que não age baseando-se em uma superioridade ou maior capacidade pessoal, mas graças ao Senhor que lhe concede este dom”.

Você experimenta a alegria de dar e a gratidão no receber? Reconhece os benefícios recebidos tanto de Deus como dos demais e partilha com generosidade?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 26 de junho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras de nosso Padre Fundador

26 de junho de 2020

“Antes de comer direi: Senhor, como para ter forças e servir-vos melhor. Antes de deitar-me: Senhor, faço-o para reparar as forças gastas e servir-vos melhor, porque Vós assim ordenastes. Se estudo, faço-o para conhecer-vos melhor, amar-vos e servir-vos e para mais servir e ajudar meu próximo” (Propósitos do ano 1861; em AEC p. 696).

RETIDÃO DE INTENÇÃO

É verdade que a rotina é uma ajuda, enquanto nos facilita na realização do costumeiro. Mas também pode converter-se em um obstáculo à qualidade da nossa vida. Para esta qualidade precisamos ativar nossos desejos em relação ao bom e ao melhor e afinar nossas intenções convertendo-as em objetivos para nossa ação, pois “o que não sabe aonde vai, nunca tem o vento a favor” dizia Sêneca.
O pensamento de Claret que comentamos é o resultado de uns exercícios espirituais já em seus anos de maturidade. Acha que as coisas necessárias (alimentar-se, descansar, estudar) longe de cair na rotina, são enquadradas no objetivo da sua vida a serviço do Evangelho. Mais ainda, tenta dar um valor positivo para este objetivo, segundo o modelo de Jesus, que também se manobrou entre estas mesmas necessidades.
É certo que deve intervir nisto uma certa disciplina penitencial, mas os frutos que se vão obtendo passam logo a serem experimentados como serena e plenitude de unidade pessoal. E para viver esta retificação das próprias intenções, nada melhor que fazer delas uma oração, uma súplica. Ao Senhor, que não nos nega o dom do Espírito (cf. Lc 11,14), confiamos nosso caminho espiritual.
É assim que vai sendo definido o perfil do homem apostólico, com capacidade de entrega total de si mesmo. É o que, como para Francisco de Assis, para Claret e para tantos outros santos, lhes possibilitava desfrutar da irrenunciável alegria dos filhos de Deus e partilhá-la com seus irmãos.
Você pôde organizar sua vida escolhendo e colocando como eixo os valores que realmente lhe interessam? Quais foram as experiências que o fizeram intimamente feliz no meio das muitas coisas e pessoas que o rodeiam?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 25 de junho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso padre Fundador

25 de junho de 2020

“Não nos basta um confessor a quem manifestamos com sinceridade nossos pecados; precisamos também de um mestre que nos ensine o caminho da virtude” (O colegial ou seminarista instruído. T. I, Barcelona, 1860, p. 330).

DEIXAR-SE GUIAR

Em nossos tempos abundam teorias e críticas relacionadas com a educação. Mas não se pode negar a necessidade de alguém que, com certa experiência, nos ajude a encontrar o próprio caminho na sociedade e na vida. E isto experimenta também quem se lança no seguimento de Jesus.

Foi a necessidade que experimentou São Paulo depois de Damasco. Multidão de convertidos dos primeiros séculos sentiu esta necessidade e por isso mesmo acudiu aos experimentados Padres do deserto. Viveu-a Inácio de Loyola como chave fundamental nos exercícios espirituais, que não procuram senão a conversão e o crescimento espiritual.

Claret constata que “os santos, por mais iluminados que fossem e com grande experiência nos caminhos de Deus, não se separaram desta prática”: contar sempre com um mestre espiritual. Ele mesmo a seguiu com perseverança em todas as etapas da sua vida. Era inspirado pelas palavras de Tobias (4,18): “peça conselho às pessoas sensatas”.

Conhecida antes como ‘direção espiritual’, hoje se chama ‘acompanhamento espiritual’. Não se identifica com a função, também necessária, do confessor, embora não se exclua que se possa fazer com a mesma pessoa, se este conta com a necessária maturidade, experiência e dotes de discernimento. Importa que seu modo de ser seja o de um discípulo de Jesus mais que o de um especialista em psicologia ou outras ciências. A fonte primordial de seu discernimento não pode ser outra senão o Evangelho. E seu coração deve parecer-se com o do mesmo Jesus, que é Mestre.

Este acompanhamento pode oferecer não somente os sacerdotes, mas também religiosos, religiosas, ou leigos experientes nas coisas de Deus. Escolher este acompanhante é coisa exclusivamente sua. Você já deu alguns passos nesta direção? Está vivendo este acompanhamento com serenidade, com confiança, com fruto? Se cair na conta de que está ajudando você a crescer no seguimento de Jesus, você tem já bom motivo para agradecer.

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 24 de junho

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

24 de junho de 2020

“Jesus Cristo nos deu por Mãe Maria Santíssima. E nos disse que a tivéssemos por mãe e que ela nos olhasse como filhos” (Relógio da paixão, em EE pp. 199-200).

PRESENTE DE QUALIDADE

Antes de morrer na cruz, Jesus entregou sua Mãe aos cuidados do discípulo amado: “Eis tua Mãe” (Jo 19,27). Com a aceitação imediata (“desde aquela hora”) deste presente, Deus nos ensina a viver em atitude filial para com Maria. Com esta entrega de Maria, o discípulo se converte em filho.

Não é de se estranhar que no seu evangelho João apresente Maria com alguns traços distintos dos sinóticos. Destaca, sobretudo, a narração das bodas de Caná, na qual expressa a convicção de que Maria teve uma função mediadora para que Jesus manifestasse sua glória aos discípulos. O fato proporcionou a eles a inicial experiência de fé (Jo 2,11). Esta mesma narração nos apresenta Maria como uma mulher sensível às necessidades de todos. Em sua presença, que capta necessidades e procura soluções às mesmas, o discípulo amado vê a terna maternidade de Maria, que não pode suportar as penas de seus filhos. Através do mesmo acontecimento, Maria é também a primeira apóstola de Jesus, que convida a tomá-lo como Mestre e Senhor: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2,15). Aceitar Maria como mãe nossa é obedecer a Jesus, que equivale a entrar em relacionamento de amor com Ele (cf Jo 15,10).

Claret recebeu e viveu com grande profundidade o dom da filiação mariana e se esforçou por transmiti-lo a todos os crentes. Em referência a si mesmo, escreveu: “Maria é minha mãe, minha mestra, minha madrinha, minha diretora e meu tudo depois de Jesus” (Aut 5). Em seu pedido a ela para crescer em amor divino e em amor ao próximo lhe pede que lhe dê “fome e sede de amor” (Aut 447), consciente de que ela o possua em abundância; e em sua missão apostólica se considera como “uma seta colocada em suas mãos poderosas” para lutar contra o mal. (cf Aut 270).

Que lugar reserva você para Maria em sua espiritualidade cotidiana? Seu relacionamento com Ela é puramente sentimental ou precisa de um impulso para buscar com mais afinco a vontade do Filho e entregar-se a trabalhar pelos valores do Reino?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf