Claret Contigo

Claret Contigo – 18 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as Palavras do nosso Padre Fundador

18 de setembro de 2020

“Convém muito aproveitar a ocasião para fazer missões, já que o Senhor nos concede estas tréguas, que não sei se durarão muito; somente lhe direi que do estrangeiro se procuram pretextos para brigar; acontece o mesmo que na fábula do cordeiro e do lobo” (Carta ao Pe. José Xifré, 4 agosto de 1866, em EC II, p. 1036).

APROVEITAR O MOMENTO

O zelo apostólico de Claret o fazia aproveitar qualquer momento, por breve que fosse, para pregar, aconselhar, escrever…. É a “pressa” evangélica de quem se sente inflamado pelo amor a Deus e aos irmãos. Há quem encontre sempre desculpas para não comprometer-se ou para atrasar sua entrega. Já havia dito o filósofo grego Platão: “Não há nunca vento favorável para quem não quer navegar”.

Mas Claret é dos que querem navegar sempre, aproveitando a mais fraca brisa que possa mover a vela. Em agosto de 1857, quase recém-chegado a Madri, escrevia a um amigo: “eu vejo chegar uma grande e horrorosa tempestade, que chegará antes de um ano. Eu vou aproveitando todas as ocasiões; você já deve ter visto as disposições que publicadas, por insistência minha, contra a blasfêmia, impureza, etc.” (EC II, p. 1396).

Hoje nos encontramos às vezes com cristãos, leigos, religiosos ou sacerdotes, que desistem de seus compromissos apostólicos porque: “… Não vale a pena…, a sociedade está demasiadamente secularizada… Somos muito poucos. Faltam-nos vocações. Tenho que cuidar de minha saúde. Falta-me preparação. Não sei como responder… Enfim, não serve para nada, é tempo perdido…”. E, efetivamente, se perde o tempo precioso. Realmente, o que existe é falta de zelo apostólico, de paixão missionária…

Sou capaz de arriscar minha vida pelo bem de outros? Vivo-a como um dom que Deus me deu para os irmãos? Não será que me deixo levar pela preguiça, porque há outras coisas que me impedem dar tudo o que eu poderia dar?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 17 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

17 de setembro de 2020

“Como nestes dias me encontro tão perseguido, pensarei que tudo vem de Deus e que Ele quer de mim este sacrifício: que sofra por seu divino amor toda espécie de penas na honra, no corpo e na alma” (Propósitos de 1864; AEC p. 707).

AMOR NO SOFRIMENTO

Assim como a mensagem evangélica é incisiva e tem a capacidade de sacudir as consciências, até incomodar pessoas ou grupos que vivem satisfeitos no erro, é normal que gere oposição, inclusive, violenta. Por isso as perseguições não são nada de novo no cristianismo; vendo sua história temos a impressão de que são inevitáveis a quem procura viver o evangelho radicalmente, como autênticas testemunhas do mesmo. As perseguições podem revestir caráter de ataque físico, inclusive em forma de atentados (parece que contra o Padre Claret se conhecem uns quatorze); outras vezes revestem formas mais sutis: privação da fama, da paz… até dos direitos mais básicos, chegando a “fazer a vida impossível” a alguém.

A resposta cristã não é a mera resignação passiva, mas a valentia e integridade, na convicção de que com sofrimentos seguimos mais visivelmente as pegadas de Jesus e de que a não-violência é a única capaz de oferecer um modelo diferente, verdadeiramente construtivo e humanizante, acabando com a tendência à vingança. Às vezes o fruto positivo tarda em fazer-se palpável, pois cresce lentamente.

Infelizmente, tanto no mundo das religiões como na sociedade civil, a história tem fracassado neste aprendizado. O cristianismo, seguidor de um inocente perseguido e assassinado, está chamado a oferecer à humanidade esta alternativa. A forma mais nobre de superar o sofrimento é sem dúvida a da compaixão cristã e a misericórdia para com os que o infligem; a pessoa fica dignificada e pode acabar, como o perseguido Jesus, oferecendo ao Pai seu ser transformado. “Em tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23, 46), foi a última e talvez a mais bela oração pessoal de Jesus perseguido ao Pai acolhedor.

Você está ameaçado e desanimado por perseguições ou armadilhas que encontra em sua vida cotidiana? Saberá responder com compaixão e caridade?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 16 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

16 de setembro de 2020

“Diante da degradante embriaguez dos prazeres da carne e do sangue Jesus colocou o delicioso banquete da sua carne e do seu sangue no Santíssimo Sacramento, que nos eleva até o manancial da vida divina” (Carta Ascética… ao presidente de um dos coros da Academia de São Miguel. Barcelona, 1862, p.26).

NA CANTINA INTERIOR…

Quais são os ideais de grande parte da nossa sociedade: de homens e mulheres, e, sobretudo, de jovens? Costumamos contar três: saúde, dinheiro e prazer. O que está em voga é o egoísmo. Buscar não o bom, o verdadeiro ou o belo, mas o que imediatamente agrada aos sentidos, o que provoca o bem-estar físico, embora traga remorso e mal-estar. Infelizmente, há pessoas e grupos que saltam por cima de todo tipo de moral, natural e sobrenatural; gente que violenta, que mente para conseguir o que quer, que aproveita do fraco, que passa por cima dos outros para garantir a crista da onda.

Não é este o caminho da consciência cristã, nem o que realmente conduz à felicidade. A direção correta é precisamente a contrária. A trilogia do crente honesto é: saúde espiritual, pobreza evangélica, amor gratuito a Deus e ao irmãos.

Se em lugar da embriaguez do prazer irracional e passageiro você escolher o caminho da abnegação e da cruz, chegará, cheio de alegria, ao banquete da carne e do sangue de Jesus Eucaristia, “que nos leva até o manancial da vida divina”, como diz Claret.

Se você for um cristão convencido, praticante e fiel, talvez lhe falte ainda o complemento do ‘fervor’, da chama ou da brasa, que poderá fazê-lo arder em caridade e abrasar por onde passe. Procure este fogo divino, que o inflame no novo ardor, na comunhão frequente e no aconchego do Senhor da glória diante do sacrário, em uma comunhão íntima com Aquele que “veio trazer fogo sobre a terra” (Lc 12,49), Aquele que nos ama e se serve de seus amigos para continuar sua missão redentora e santificadora neste mundo.

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 15 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

15 de setembro de 2020 – Dores de Maria

“Agradará a Maria quem procurar receber dignamente e amiúde a sagrada eucaristia, tendo Jesus depositado em seu coração como em um sacrário e acompanhar tão aflita Mãe em sua solidão tão angustiada” (Explicação da pomba [=Resumo dos principais documentos…]. Barcelona, 1848; p. 31).

O QUE MAIS AGRADA A MARIA

As dores de Maria, que Claret nos convida a ter presentes, iniciam-se logo depois do nascimento de Jesus e terminam quando Maria deixa sepultado o corpo do seu Filho depois de vê-lo crucificado e segurá-lo morto em seus braços ao pé da cruz. Na frase de Claret está latente a imagem do sepulcro: Jesus crucificado, o que foi depositado no túmulo, pode estar também em nosso coração.

Com a linguagem do seu tempo, dificilmente poderia ter usado outra, Claret exorta a receber dignamente e amiúde a Eucaristia. Um século depois, depois da imensa experiência de graça que abundou no Concílio Vaticano II, a Igreja, sem renunciar ao ‘receber’, nos convida mais a ‘celebrar’. As demais expressões mantém seu sentido: podemos celebrar mais ou menos dignamente e fazê-lo com maior ou menor frequência.

É uma bela lembrança aquela dos cristãos do século IV que foram à morte afirmando: ‘sem celebrar o domingo não podemos viver’! Esta frase continua fazendo-se realidade em milhares de crentes que, para participarem da assembleia eucarística do fim de semana, fazem muitos quilômetros ou caminham uns poucos metros com um imenso esforço. Sem a Eucaristia não podemos viver. Sua celebração frequente se converte em nossa força e em uma excepcional experiência de graça.

As coisas mais valiosas da vida somente as apreciamos em sua justa medida quando não as temos mais. Nos países que tiveram igrejas cheias de vida, muitas comunidades, hoje devem contentar-se com uma eucaristia mensal. Demos valor ao que temos, à celebração eucarística frequente, ao privilégio de podermos nos aproximar do sacrário e escutar Jesus e conversar com Ele.

A Eucaristia tem na sua vida o papel que deveria ter? O que lhe sugere o convite de Claret a celebrá-la com dignidade e amiúde?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 14 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

14 de setembro de 2020

“Quando um instituto, convento, não tem espírito, morto está; não fará caso de avisos, nem de disposições, por mais sábias, santas e caritativas que sejam” (Notas sobre o Concílio Vaticano I, em AEC p. 578).

SÓ O ESPÍRITO VIVIFICA

Para Claret é o espírito que nos mantém em pé. Isto é, é o espírito que nos permite estar em pé diante das dificuldades e dos desafios. E é nas coisas pequenas onde se prova a consistência deste espírito.

Aconteceram muitas tentativas de reformas dentro da vida cristã e religiosa, mas somente tiveram sucesso as que vieram precedidas de uma grande escuta do Espírito. E nunca se deve esquecer que “reformar” é recuperar a forma perdida. Costumamos dizer: “estar em forma”; isto é obra de um espírito que sabe escutar o Espírito. Normalmente o que faz o Espírito é amolecer o coração do homem para ganhar em sensibilidade.

O Concílio Vaticano II convidou a todas as ordens e congregações religiosas a voltarem ao espírito do Fundador ou Fundadora. Não se trata de voltar àquela época, nem aos costumes e modelos de então, mas ao ‘espírito’. E isto não é fácil. Por isso Claret dizia: “é mais fácil fundar de novo que reformar”. Toda reforma verdadeira exige estudo e discernimento. Com o estudo se pode superar o empobrecimento de ideias que o Espírito nos oferece através daqueles que investigam a realidade em sua evolução histórica e de pensamento. Com o discernimento pomos em mãos de outros nossas moções, para que nos ajudem a evitar soluções demasiadamente fáceis aos novos desafios que vão surgindo, e que são conjunturais.

O grande obstáculo à necessária renovação, nossa e de nossos arredores, é a tendência à passividade, que faz com que se abortem muitas das moções que para isto recebemos do Espírito. Por isso conclui Claret: “Quando o homem é fiel à vocação e corresponde grandemente com uma grande força de vontade, pode muitíssimo”.

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 13 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

13 de setembro de 2020

“Devemos ter coração de mãe para com nosso próximo. O que não faz uma mãe para seu filho? Dá-lhe de comer, vestir, educação; cuida para não cair e protege de todo perigo. Se o vê em perigo, avisa-o, não se distancia; se o vê caído, levanta-o; se o vê doente, tem cuidado com ele; chora, roga, faz votos para vê-lo restabelecido. O mesmo deve praticar quem tem zelo para com seu próximo” (L’egoismo vinto. Roma 1869, p. 69. Traduzido para o espanhol em EE p. 423).

TER CORAÇÃO DE MÃE

As religiões em geral identificam a mulher com a terra, enquanto a Bíblia a identifica com a vida. A mulher é a mãe de todos os viventes. Transmitir vida. Isto significa “ter coração de mãe” que, às vezes, supõe sofrimento: a mãe sente as dores das feridas dos filhos. Daí que Claret, ao falar do seu sentimento materno, não podia senão que contemplar-se nas duas figuras maternas por excelência: Mara e a Igreja. São as duas figuras às quais um sacerdote, ou qualquer que pretenda anunciar a boa nova, deve imitar.

Falando do zelo do sacerdote em suas Notas Espirituais (cf. AEC p. 757), Claret vai enumerando as virtudes de uma mãe para com seu filho com grande ternura: ensina o filho a falar, a caminhar, educa-o e forma o seu coração; alimenta, veste, limpa, cuida de seu filho; corrige também; a mãe é a mártir da família; leva o filho durante nove meses em seu ventre e depois em seu coração.

E termina dizendo: “Todas as características de uma mãe deve ter um bom sacerdote. Ai daquele que não as tem, este não se poderá ser chamado de mãe, mas madrasta, mãe malvada, mau sacerdote”.

Virtudes que poderiam aplicar-se a qualquer um que acredite ter zelo para com seu próximo. Mas, tem algo mais, e Claret o descobre e o pratica: uma boa mãe sabe escutar a seu filho. Este traço materno, esta admiração contemplativa que Maria, por exemplo, tinha para com seu Filho, deveria ser uma nota característica da maternidade da Igreja e também nossa, pois somos seus filhos. Escutar, ouvir, atender, sintonizar, partilhar, compadecer é verbos que deveriam ser conjugados com mais frequência no nosso vocabulário cristão.

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 12 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso padre Fundador

12 de setembro de 2020

“Aos quinze dias da nossa chegada a Cuba fomos visitar a imagem da Santíssima Virgem da Caridade na cidade de El Cobre, a quatro léguas da capital, a quem todos os habitantes da Ilha são muito devotos” (Aut 510).

COM A PIEDADE DO POVO

Em todos os países de tradição cristã existem santuários marianos que reúnem milhares e milhões de pessoas todos os anos. Certamente os encontramos também onde vivemos nós.

Na vida de Santo Antônio Maria Claret aparecem vários títulos de Maria que o acompanharam nos diversos lugares onde viveu e trabalhou. A Virgem de Fusimanha de Sallent, a quem visitou frequentemente com sua irmã, a Virgem do Rosário em Vic, a Moreneta de Montserrat, padroeira da sua Catalunha natal, a Virgem do Pinho ou da Candelária nas Ilhas Canárias, a Virgem da Caridade do Cobre em Cuba, a Virgem da Almudena em seus anos de Madri e outras muitas que o ajudaram a crescer na devoção a Maria.

Em todas elas Santo Antônio Maria Claret descobriu aquele Coração que acolheu a Palavra de Deus e no qual encontravam ressonância as situações e aspirações de seus filhos. Na contemplação de Maria encontrou uma forte inspiração para seguir Jesus e dedicar-se generosamente ao seu ministério apostólico.

A devoção a Maria é uma parte muito importante do patrimônio espiritual da Igreja. Ela nos introduz na meditação do rosto materno de Deus. Todas as vezes que Maria aparece nos Evangelhos a vemos atenta à Palavra de Deus e às situações das pessoas. Quando visitemos um Santuário Mariano ou invoquemos a intercessão de Maria, deixemos que o fogo que ardia em seu coração se apodere do nosso. Nossa vida se fará capaz de transmitir calor e luz a quem tem necessidade disto.

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 11 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

11 de setembro de 2020

“Não só devem ter paciência no sofrer seus próprios defeitos, mas também as dores corporais e as securas de espírito. Embora São Pedro quisesse estar no Tabor e fugisse do Calvário, este monte não deixa por isto de ser mais útil e proveitoso que aquele. Melhor, dizia São Francisco de Sales, é comer o pão sem açúcar que o açúcar sem o pão” (Carta Ascética… ao presidente de um dos coros da Academia de São Miguel. Barcelona, 1862, p.17).

AMOR PACIENTE

Há momentos em que nossa vida parece ser inútil, insignificante ou pouco interessante. Mas o valor da nossa vida não se mede pelo que fazemos; nosso estado de ânimo não muda nossa dignidade como pessoas, nem o valor que temos como pessoas, como filhos de Deus. Cada um é único e irrepetível. Cada um pessoalmente é muito importante para Deus, porque somos criaturas suas, feitos à sua imagem e semelhança. Ele nos quer pelo que somos, aprecia tanto nosso ser e nossa história que não nos troca por ninguém. Valemos muito aos olhos de Deus!

Poderão mudar as circunstâncias da nossa vida, poderemos ser grandes pecadores, poderemos apreciar-nos ou desprezar-nos. O Senhor continua sendo o mesmo, Ele mantém seu amor por nós, nos ampara nas dificuldades e nos dá a alegria da vida e a alegria das coisas boas de cada dia. Faz frutificar o quanto fazemos em seu nome, porque tudo o que somos e temos, recebemos do Senhor. Fazei tudo em nome do Senhor, diz Paulo (cf. Cl 3,17), porque o que fazemos em seu nome, em comunhão com Ele, tem a força do Espírito Santo e a eficácia do seu poder.

Na vida e na morte, somos do Senhor, volta a dizer Paulo (cf. Rm 14,8). Nos momentos de alegria e nos momentos de dor, está sempre presente o Senhor. É como o sol, não porque esteja nublado e não o vemos que deixa de existir.

Você pede alguma vez ao Senhor o dom da fé para reconhecê-lo e senti-lo junto a você, fortalecendo-o, consolando-o, animando-o, dando-lhe sua paz, ou você se lamenta e nega sua presença quando lhe parece ausente da sua vida ou é surdo às suas chamadas?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 10 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

10 de setembro de 2020

“Amar os que nos amam, servem e consolam é coisa fácil e que não requer virtude alguma; mas amar, servir e acariciar os que nos ofendem e são chatos, sem outro motivo senão por agradar a Deus, é amor verdadeiramente sobrenatural; isto é amá-los em Deus e somente por Deus, diz São Francisco de Sales” (Carta Ascética… ao presidente de um dos coros da Academia de São Miguel. Barcelona, 1862, p.9).

PERDÃO AOS INIMIGOS

Normalmente consideramos amigos os que nos querem bem, porque falam bem de nós e porque nos ajudam. Quem não é agradecido e bondoso com quem o favorece ou lhe presta um serviço? Isto, como o amar os que o amam, saudar os amigos, o fazem os pagãos, diz Jesus.

E por outro lado, a todos nós parece normal que quem comete um delito pague e que pague na medida proporcional ao dano causado. É o “olho por olho e dente por dente”. É o justo, segundo a justiça humana. Inclusive pode ser o modo de impedir que a resposta ao mal desencadeie uma vingança desproporcionada e cause mais mal que o que se tenta combater.

O ensinamento de Jesus vai mais além. Diz a seus discípulos: “Amai vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem” (Mt 5,44). Mas, isto é possível? Como posso sentir simpatia por meu inimigo, como posso amar a quem me tem feito mal, como posso controlar meus sentimentos diante de quem me fere ou diante de quem arruinou a vida? Jesus não fala de sentimentos de amor, mas de amor verdadeiro. Isto é, faça sempre o bem, inclusive a seu inimigo, porque o que é bom para ele o é para você também. Se seu inimigo é um malvado que lhe tem feito mal, não faça o mesmo a ele, fazendo-lhe o mal. Você seria como ele, abdicaria o amor, perderia sua dignidade pelo ódio ou pelo ressentimento, você envenenaria seu coração.

Este é o comportamento de Deus, que faz chover sobre os justos e pecadores, que quer bem a todos, porque todos são filhos de Deus. Deus não pode fazer o mal a quem não o ama, não destrói quem o despreza, porque é Pai. É o que Jesus não só prega, mas vive e expressa no momento crucial da sua morte: perdoa, ama, dá a vida por todos, inclusive pelos verdugos.

Você pensou alguma vez sobre suas reações diante de quem o tem prejudicado ou continua prejudicando? Você se colocou no seu nível devolvendo mal com mal?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

Claret Contigo – 09 de setembro

Todos os dias uma meditação sobre as palavras do nosso Padre Fundador

09 de setembro de 2020

“Já que você chama Deus de Pai e o é, comporte-se como bom filho; receia dar-lhe o menor desgosto e procure agradá-lo em todas as coisas, como nos ensinou Jesus Cristo” (Carta Ascética… ao presidente de um dos coros da Academia de São Miguel. Barcelona, 1862, p.4).

QUEM AMA SABE AGRADAR

O Deus do Antigo Testamento se apresenta como o Deus amigo, o Deus esposo ou o Deus Pai. Convido-o hoje a ler o capítulo 11 de Oséias e contemplar ali a ternura de um Deus que, pensando em seu povo-filho, “lhe revoluciona o coração e se comovem as entranhas”. Também pode ver Deuteronômio 32, 5-6, onde se diz que “sendo Ele seu pai e seu criador, quem lhe deu o ser, filhos degenerados se comportaram mal com Ele”. São ignorados os que veem em Javé somente o Deus do terror e da ira.

Este aspecto paternal de Deus Jesus o acentuou ainda mais: é chamado quase sempre de Pai e o invoca com o diminutivo Abbá, que significa papai, com um matiz especial de ternura. Os seguidores de Jesus participam desta filiação, por isso Jesus lhes ensina a orarem a Deus chamando-O Pai, Pai nosso. E isto se converteu muito cedo no uso normal da Igreja; os gálatas, apesar de falarem um idioma celta e os romanos, que falam latim ou grego, invocam a Deus com a palavra Abbá (cf. Gl 4,6; Rm 8,15).

Claret se identificou logo com esta espiritualidade filial. Falando de sua oração de criança, escreve: “Com que amor falava com o Senhor, com meu bom Pai” (Aut 40). Naquela tenra idade começou a sentir a vocação de apóstolo para trabalhar pela salvação de seus irmãos e para evitar os pecados, que são “injúria infinita a meu Deus, a meu bom Pai” (Aut 16).

A espiritualidade filial é relação de amor, cuja consequência é a obediência. Jesus dizia: “meu alimento é fazer a vontade de quem me enviou” (Jo 4,34). Claret quer imitá-lo nesta disponibilidade e ora assim: “ó Senhor e meu Pai, não desejo senão conhecer vossa santíssima vontade para cumpri-la, não quero outra coisa senão amar-vos com todo fervor e servir-vos” (Aut 136).

Como é sua relação com Deus Pai? Suscita em você sentimentos de amor? Arde em desejos de agradá-lo, de que tudo se faça segundo sua vontade?

Tradução: Padre Oswair Chiozini,cmf

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