Páscoa: ressurreição da unidade!

Às lideranças da Paróquia Imaculado Coração de Maria.

No capítulo 17,1-26 do Evangelho de São João, Jesus se prepara para a sua hora. É chegado o momento de consumar sua missão. Essa belíssima ‘oração sacerdotal’ é um presente para nossa reflexão sobre o tema da unidade na diversidade de dons e carismas.

A vida do cristão parte do mandamento novo do amor e se realiza no serviço que prestamos a Deus por meio de nossa participação na comunidade eclesial. O Senhor nos deixou esse legado, de colaborar com a difusão da Boa Nova e sermos sinais de reconciliação e paz.

No entanto, a Palavra de Jesus ainda não desceu profundamente aos corações dos fiéis, principalmente de muitos que foram escolhidos para servir em nossas comunidades. Tem se a percepção que o sentido da palavra ministério ainda não foi bem compreendido. Por isso, resolvi escrever este texto para ajuda-los a meditar em vosso seguimento de Cristo em vistas da unidade como seu Corpo Místico.

Tenho constatado em muitas ocasiões que o serviço pastoral tem sido acompanhado de um EU que se sobressai ao NÓS. Há um narcisismo pastoral que tem dificultado a entrada de Cristo e com isto, a verdade que tentamos comunicar fica obsoleta e vazia. É preciso repensar o que de fato buscamos quando somos convidados a trabalhar para a messe do Senhor. Aparências, status, superioridade, primeiros lugares, elogios, honras, reconhecimento?

Ministério eclesial significa serviço a Cristo e aos irmãos. “É preciso que Cristo cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). Que meu ego dê lugar ao Ressuscitado. Que minhas palavras sejam as d’Ele, que minhas atitudes e pensamentos estejam em conformidade com o agir do Bom Pastor, que minha liderança e testemunho estejam fundados na Palavra, que as decisões sejam conduzidas pelo Espírito Santo.

O exercício do ministério pastoral está em vistas à unidade com o Corpo de Cristo. Quando uma comunidade ou grupo pastoral se desvia do ideal cristão, deixa de caminhar com o Mestre. Os maiores problemas e divisões causadas em tantas equipes surge pela falta de uma espiritualidade da unidade. Fofocas, conflitos, falta de comunicação, grosserias, falta de diálogo, indelicadezas, egocentrismo, denotam uma completa falta de consciência do que é um ministério.

Quando cristãos que são líderes de pastorais se comportam com interesses pessoais e reduzem a ação missionária, estão sim escandalizando os pequenos e afastando vidas que precisam ser salvas.

Neste sentido, precisamos urgentemente aprofundar a teologia do ministério e redescobrir o que nos faz caminhar com Cristo e o que realmente queremos construir.

São muitas as lideranças em nossa paróquia e cada uma procura doar-se da melhor forma possível, mas ainda temos lacunas a serem preenchidas para formar a tão sonhada Unidade Pastoral. Então, neste ano refletiremos mais fervorosamente nas reuniões sobre esse tema para superar crises que vem sendo construídas por falta de discernimento pastoral. A começar pelos encontros mensais do CPP, em cada reunião de grupo primeiramente se tenha um momento de formação para repassar o tema que será tratado e assim, vamos construindo uma cultura de amadurecimento pastoral.

Ministério, serviço, não é comunitarismo em que se deve fazer todas as coisas com todos ao mesmo tempo. Mas é disponibilidade e compromisso com a edificação da Igreja. A maioria dos conflitos que existem, poderiam ser resolvidos facilmente com maturidade nos próprios encontros, mas o fato de não se ter tato para lidar com ‘picuinhas’, tem arrastado sentimentos destrutivos e incômodos.

Sugiro que nesta Páscoa, cada um dê um grande salto em seu exame de consciência e deixe-se ressuscitar por Cristo. A ressurreição da unidade é urgente para que nosso planejamento pastoral realmente aconteça. Vamos começar mais um ciclo envolvidos pelo maior mistério que celebramos e radicar a fé no que Jesus pede: que sejamos um, unidos, com o mesmo coração, alma e sentimentos para que o amor reine entre nós.

Sobre o autor

Padre Niton Cesar Boni

Missionário Filho do Imaculado Coração de Maria - Claretiano. Bacharel em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais/SP e Teologia pelo Studium Theologicum de Curitiba/PR. Pós-graduado em Espiritualidade pela FAVI. É vigário paroquial da Paróquia do Imaculado Coração de Maria e formador dos estudantes de teologia. | Contato: [email protected]

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