Minha experiência de Taizé – Padre Eguione Nogueira, CMF

“…passa-se por Taizé como se passa perto de uma fonte. O viajante para, mata a sede e continua o seu caminho” (S. João Paulo II).

Quando li essa frase de S. João Paulo II pela primeira vez, me impactou bastante. Despertou em mim dois sentimentos: de curiosidade em saber que fontes seriam essas mencionadas pelo Papa em 1986, e de desejo de beber dessas fontes. Revisitando alguns escritos durante minha estadia de uma semana em Taizé descobri que estava indo à fonte, mesmo sem perceber, num momento crucial da minha vida: “venho a Taizé mais que como um sacerdote, venho como um cristão sedento de Deus”. Encontrava-me num verdadeiro deserto espiritual, por uma série de circunstâncias.

Era agosto de 2015. Recém havia concluído o Caminho de Santiago com uma centena de jovens. Já havia feito um caminho interior, concomitante ao caminho físico (havia experimentado o que era ser peregrino, levando na bagagem o essencial, experimentando, com outros, a dor, o cansaço e a esperança de cada passo dado rumo a Santiago de Compostela). Quando chegamos na pequena vila de Taizé, depois de uma longa viagem desde Madri, um primeiro fato me chamou a atenção naquele lugar: a presença de milhares de jovens em meio à austeridade.

Era uns cinco mil jovens de vários países, de diferentes religiões, falando vários idiomas e em profunda sintonia. Pude imaginar naquele lugar a experiência dos Apóstolos reunidos no cenáculo: um verdadeiro Pentecostes.

A oração de Taizé é uma forma de saborear a oração de modo simples, sentir a comunhão com outros e contemplar o mistério juntos. O louvor, a adoração ou a súplica se unem numa única voz, mesmo que em distintos idiomas, a Deus. O ambiente respira oração, oração também feita de silêncio; não um silêncio inquietante, mas um vazio em que cessam as palavras e é preenchido pelo mistério. Os cânticos meditativos, simples e, ao mesmo tempo, ricos de sentido, repetidos várias vezes, dão à alma uma leveza espiritual.

Além disso, outros elementos dão um sentido especial em Taizé: a disponibilidade dos jovens para o serviço (servir a comida, limpar os espaços comuns, etc.); o interesse em aprofundar os textos bíblicos a partir das catequeses dos irmãos de Taizé; o diálogo sobre temas diversos rumo a uma nova solidariedade (ecologia, reconciliação, paz); o ecumenismo concreto entre católicos, ortodoxos, protestantes, e até não-crentes (todos os dias pela manhã há missa para os católicos e, na oração em comum, os cristãos que não estão em comunhão plena com a Igreja recebem a Eucaristia consagrada na missa, e os que não têm a Eucaristia no sentido pleno da presença real de Cristo, recebem um pão abençoado – um gesto simbólico de caminho para a unidade); e a austeridade com que se vive em Taizé são características que marcam, entre outras, a experiência de estar entre irmãos .

Espero que a oração de Taizé continue sendo para todos os que buscam beber nas fontes do Mistério um lugar de acolhida, de silêncio, de encontro e fraternidade.

 

Aproveito para convidar você a participar conosco da primeira experiência da Oração de Taizé em nossa paróquia.
No próximo dia 16 de setembro às 17h30.
Convide seus amigos, familiares (independente de religião), esperamos você.

Taizé-Setembro2017

Os cânticos meditativos de Taizé

A oração através de cânticos é uma das expressões mais essenciais da busca de Deus. Cânticos breves, repetidos várias vezes, sublinham o caráter meditativo. Em poucas palavras, eles exprimem uma realidade fundamental, rapidamente captada pela inteligência. Repetida até ao infinito, esta realidade é pouco a pouco interiorizada pela pessoa na sua totalidade. Os cânticos meditativos abrem-nos assim à escuta de Deus. Numa oração comunitária, eles permitem a todos participar e permanecer juntos na espera de Deus, sem que o tempo seja demasiado cronometrado.
Para abrir as portas da confiança em Deus, nada pode substituir a beleza das vozes humanas unidas pelo canto. Esta beleza pode fazer entrever «a alegria do céu sobre a terra», como o exprimem os cristãos do Oriente. E começa a desenvolver-se uma vida interior.

Estes cânticos também sustém a oração pessoal. Eles constroem pouco a pouco uma unidade da pessoa em Deus e podem tornar-se subjacentes no trabalho, nas conversas, no descanso, ligando oração e vida quotidiana. Mesmo inconscientemente, eles prolongam em nós uma oração, no silêncio do nosso coração.

Os cânticos meditativos de Taizé são simples, mas a sua utilização numa oração comunitária requer uma preparação. Para que a oração guarde o seu caráter meditativo, esta preparação faz-se separadamente.

Durante a oração não é aconselhável que se dirijam os cânticos, para que os olhares de todos se fixem na cruz, nos ícones ou no altar (com uma grande assembleia é possível dirigir muito discretamente um pequeno coro, onde alguns instrumentos podem ajudar). O animador dos cânticos coloca-se normalmente à frente, juntamente com os que leem o salmo, os que fazem a leitura e as intercessões, não estando virados para os participantes, mas sim para o altar como os outros. Para encontrar a nota inicial é melhor utilizar um diapasão ou um instrumento. A pessoa que entoa deve também ter em conta o ritmo, que pode ter tendência a ser demasiado lento. Quando o número de participantes começa a ser considerável é necessário utilizar um microfone, de preferência que não esteja fixo, para entoar e terminar os cânticos (que se terminam com um «Amém» na última nota). Aquele que entoa os cânticos pode ajudar cantando ao microfone, sem impor a sua voz. Para uma grande assembleia é essencial ter uma boa sonorização. Se necessário, verificar a instalação antes da oração e fazer um ensaio das vozes com todos os que utilizam um microfone.

Os cânticos em diversas línguas são destinados antes de mais a grandes assembleias internacionais. Num grupo local aberto a todas as gerações é melhor escolher exclusivamente cânticos em português ou latim. Se possível, dar a cada pessoa uma folha com o texto dos cânticos. Integrar também um ou outro cântico do repertório local.

Instrumentos: A guitarra ou um instrumento com teclado sustentam a estrutura e harmonia dos cânticos. Eles servem principalmente para manter o tom e o ritmo exatos. O guitarrista deve utilizar um estilo clássico! Se não se ouve suficientemente, utilizar um microfone. Para além deste acompanhamento de base, existem acompanhamentos para outros instrumentos.

Fonte: https://www.taize.fr/pt_article585.html

Sobre o autor

Padre Eguione Nogueira

Missionário claretiano, nasceu em Ceres-GO aos 15 de fevereiro de 1987. Ingressou no Seminário Menor da Congregação dos Missionários Claretianos em Pouso Alegre-MG no ano 2002, cursando o Ensino Médio. Entre os anos 2005 e 2007 cursou Filosofia nas Faculdades Claretianas de Batatais-SP. Fez o noviciado na cidade de Cochabamba-Bolívia, onde emitiu os Primeiros Votos Religiosos no ano 2009. Entre os anos 2009 e 2013 cursou Teologia no Studium Theologicum de Curitiba-PR, sendo que em 2011 fez uma experiência apostólica em Moçambique. Foi ordenado presbítero no ano 2014 e destinado a trabalhar na cidade de Contagem-MG como vigário paroquial e auxiliar de formação. Entre 2015 e 2017, estudou Teologia Pastoral na cidade de Madri. Atualmente é Pároco na Paróquia Imaculado Coração de Maria em Curitiba/PR, e professor no Studium Theologicum.

Um comentário

  • Ana Luisa

    Excelente texto e obrigada por compartilhar sua experiência conosco, Padre Eguione. Eu já morei em Curitiba e gostava muito de frequentar as missas no Coração de Maria. Infelizmente estou um pouco longe. Mas, adoraria participar deste momento de Taizé. Sempre acompanho pelo facebook da Paróquia. Obrigada mais uma vez por compartilhar conosco.

    • 07:52 - 15/12/2017

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