Meditações Pascais – 15 de abril

Ele está no meio de nós

Padre Valter Maurício Goedert

Quarta-feira | 15 de abril de 2020

NÃO TENHO OURO, NEM PRATA! (At 3,6)

Certo dia, um jovem rico se encontrou com Jesus e lhe perguntou o que devia fazer para herdar a vida eterna. Depois de lhe apresentar os mandamentos da Lei, Jesus o convidou para dar um passo definitivo e radical: “Se queres ser perfeito, vai, vende todos os teus bens, e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me” (Mt 19,21).

O seguimento de Jesus é uma decisão tão séria que exige opção radical: deixar tudo. Cristo é mais importante que os bens terrenos. Paulo afirma que tudo não passa de perda, em comparação à excelência do conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,7-9). O viver é estar em Cristo, e o morrer é lucro (Fl 1,21).

Ao ouvir a resposta de Jesus ao jovem rico, Pedro manifesta sua preocupação que, certamente, é também a dos outros discípulos: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. O que é que vamos receber?” (Mt 19,27). Preocupação mais do que justa para quem ainda não descobrira a pérola preciosa, o tesouro escondido… Enquanto não descobrirmos Jesus como o nosso tudo, como o sentido último da vida, estaremos obsessivamente apegados aos bens materiais, aos ideais meramente humanos.

Transformado pelo encontro com o Ressuscitado, Pedro reconhece, agora, diante do aleijado, que compreendeu a exigência de Jesus, e que nele colocou toda a sua esperança: “Pedro lhe disse: nem ouro nem prata possuo. O que tenho, porém, isto te dou: em nome de Jesus Cristo, o nazareno, põe-te a caminhar” (At 3,6). Quem tudo deixara para seguir a Jesus, possui em abundância, e distribui com prodigalidade.

Uma vez mais se evidencia a veracidade do dito popular: “Ninguém é tão rico que nada tenha a receber; nem tão pobre, que nada tenha para dar”! Nunca se dá tanto como quando se oferece da própria pobreza! Quando somos fracos, então é que somos fortes, porque nossa fraqueza se revigora na força de Cristo (2Cor 12,10). Quando nada temos de nosso, porque tudo ofertamos ao Senhor, ele próprio se torna nossa riqueza.

Oferecemos o que temos. Quem apenas se cerca de bens materiais, não dispõe de bens espirituais. As pessoas precisam mais de nós do que de nossas posses. É mais fácil dar coisas do que dar-se. O desapego de si mesmo exige “amar mais”: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (Jo 21,15). Pedro não teve coragem de afirmar positivamente; entregou-se ao julgamento misericordioso de Jesus: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo” (Jo 21,17).

Somente Cristo tudo sabe, tudo pode, é tudo. Tenhamos a coragem de confiar-lhe o que somos e o que temos. Na pobreza de nossa entrega encontraremos a única riqueza que a ferrugem e a traça não corroem. Com nossa indigência, enriqueceremos a muitos. De nada dispondo, tudo possuiremos.

PREFÁCIO DE PÁSCOA

É necessário e justo render-te graças,
Deus santo e onipotente,
celebrar-te com devoção, Pai glorioso,
Criador e autor do universo,
por teu Filho, Cristo Jesus.
Ele, sendo Deus, pleno de majestade,
se humilhou a ponto de aceitar o suplício da cruz,
para salvar os homens.
No princípio dos séculos
Abraão o prefigurou em seu filho;
o povo de Moisés no cordeiro pascal que imolava.
Ele é aquele que a trompa dos profetas anunciava:
assumirá os pecados de todos os homens,
cancelará todos os nossos crimes.
Eis a grande Páscoa,
que o sangue de Cristo cobriu de glória,
que torna exultante de alegria o povo cristão!
Ó mistério de graça!
Mistério inexprimível da generosidade divina!
Ó festividade venerável dentre todas as festividades,
em que ele se abandonou aos homens
até a morte, para salvar os simples servos!
Ó morte feliz que partiu os vínculos da morte!
Enfim, o príncipe do inferno pode se considerar vencido,
e nós, salvos do abismo da culpa,
exultamos de alegria e retomamos com Cristo
o caminho do céu!

Liturgia ambrosina

Livro: Padre Valter Maurício Goedert – Ele está no meio de nós – Meditações Pascais

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