Meditações Pascais – 14 de abril

Ele está no meio de nós

Padre Valter Maurício Goedert

Terça-feira | 14 de abril de 2020

NÃO ME RETENHAS! (Jo 20,17)

“Maria Madalena está junto ao sepulcro, chorando”. Quem ama, não consegue permanecer longe do amado, ainda que seja de sua sepultura! Há momentos na vida em que o único modo de manifestar o amor são as lágrimas: um amor perdido, violentamente arrebatado do nosso convívio. Chorar junto ao sepulcro pode não trazer de volta o amor que partiu, mas consola o coração de quem fica. As lágrimas de amor são como a chuva que desce do céu; sempre produzem fruto (Is 55,10-11).

Quem ama, não mede esforços para estar com o amado: vai buscá-lo, onde quer que esteja, mesmo que seja numa sepultura! Nos momentos de felicidade, nas horas de sofrimento, sempre é tempo de buscar Deus. Ele gosta de ser procurado, e sua mão se estende benignamente sobre os que o buscam. Felizes os que guardam seus testemunhos, procurando-o de todo o coração. O próprio Jesus insiste: “Buscai e achareis” (Mt 7,7)! Se buscarmos, em primeiro lugar, seu reino, sua justiça, todas as outras coisas nos serão dadas por acréscimo.

“Não me retenhas” (Jo 20,17)! A busca de Deus não deve se transformar em posse egoísta. O mistério de Deus é sempre infinitamente maior que nosso desejo de possuí-lo. Não podemos reter Deus nos artifícios do amor humano, como se fosse nossa propriedade. É preciso deixar Deus ser Deus. Ele é intocável em seu mistério!

No entanto, para saciar nosso desejo de apalpá-lo, de tocá-lo, de abraçá-lo, Deus se torna presente naquele que tem fome e sede, que é forasteiro, está nu, doente, prisioneiro (Mt 25,35). O caminho mais apropriado para encontrar Deus será sempre o irmão, o necessitado. São João Crisóstomo afirma: “Tu que honras o altar sobre o qual repousa o Corpo de Cristo, o ultrajas e desprezas, depois, em sua pobreza, aquele que é também Corpo de Cristo. Este altar (Cristo no irmão) tu podes encontrar em todas as partes, em todas as ruas, em todas as praças, e sobre ele oferecer, a todo momento, um verdadeiro sacrifício… Porque não existe nada que atraia mais o fogo do Espírito do que a efusão abundante do óleo da caridade” (Ep. ICor Hom. 11,19P).

Maria Madalena busca o corpo de Jesus e o encontra ressuscitado. Jesus, o Senhor da vida, não se encontra entre os mortos. Deus está presente lá onde há vida, onde a vida é respeitada, promovida, acolhida. A glória de Deus é o ser humano, vivendo em plenitude. Procuramos Deus entre os mortos quando nos entregamos ao negativismo, preocupados apenas com nossas perdas, nossas carências, nossos desencontros. Preocupamo-nos demais com a pedra da entrada do túmulo, quando deveríamos estar atentos para reconhecer Jesus ressuscitado. A fé que transporta montanhas abre a mansão dos mortos. Contudo, se vacilarmos, deixemos que ele nos chame pelo nome. Não existe dúvida que resista à certeza do amor de Cristo ressuscitado!

CRISTO SENHOR!

Senhor Jesus,
Rei da glória,
que, cumprindo as promessas dos profetas,
voltas glorioso à casa do teu Pai,
atravessando as portas da morte,
agora,
que tua divindade regressa
para onde jamais deixou de estar,
abre a porta do reino do céu
a todo o gênero humano.
Concede-nos caminhar com segurança
em busca dessa morada,
na qual tu nos precedeste.
Que não nos deixemos distrair,
seduzidos pelos bens terrenos,
nós que celebramos, com alegria,
Cristo, nossa Cabeça,
que no céu reina com Deus.

Livro: Padre Valter Maurício Goedert – Ele está no meio de nós – Meditações Pascais

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