Mártires Claretianos: o preço da graça

01 de fevereiro – Memória dos Beatos Mártires Claretianos

A história da Congregação Claretiana, que começou em 1849, tem algumas páginas escritas com o sangue do martírio, fruto do carisma herdado por seu Fundador, Santo Antônio Maria Claret. Atualmente, são 184 mártires beatificados. Os mais conhecidos, inclusive com a produção cinematográfica “Un Dios Prohibido” (Um Deus proibido), são os mártires de Barbastro, na Espanha. Entretanto, foram mortos 271 claretianos na guerra civil espanhola (1936-1939), o que nos leva a ser a Congregação religiosa da Espanha com maior número de vítimas por causa da perseguição religiosa. Destes, seguindo a ordem cronológica das beatificações temos: 51 mártires de Barbastro (1992), 23 mártires de Fernán Caballero, Sigüenza e Tarragona (2013) e 109 beatificados em Barcelona (2017). Junto a estes que receberam a coroa do martírio, temos o beato Pe. Andrés Solá Molist, CMF, assassinado no México em 1927 e a beata María Patrocinio Giner, missionária claretiana, martirizada também na Espanha, em 1936.


A data 1 de fevereiro, escolhida para celebrar a memória litúrgica dos mártires na Congregação, coincide com o atentado que Santo Antônio Maria Claret sofreu na cidade Holguín (Cuba), em 1856. Este atentado, como ele mesmo relata, foi de grande importância em sua trajetória: “Não sei como explicar o prazer e a alegria que minha alma sentia por ter alcançado o que tanto desejava: derramar o meu sangue por amor de Jesus e de Maria e poder selar com o sangue das minhas veias as verdades evangélicas” (Autobiografia 577). Embora não tenha recebido a coroa do martírio, sua espiritualidade e sua vida está configurada por Cristo que sofre e morre por amor.


Esta identidade martirial encontrou no coração de muitos claretianos um terreno fértil para frutificar. Os relatos dos mártires claretianos demonstram a força que a Definição do Missionário Filho do Imaculado Coração de Maria tem em nossa identidade missionária: “Um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios inflamar o mundo no fogo do divino amor. Nada o detém. Alegra-se nas privações. Enfrenta os trabalhos. Abraça os sacrifícios. Compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos. Seu único pensamento é seguir e imitar a Jesus Cristo, no trabalho, no sofrimento, procurando sempre e unicamente a maior glória de Deus e da salvação das almas” (Autobiografia 494).


Em tempos de pós-modernidade, a fé corre o risco de ser “light”, ou como o teólogo mártir, Dietrich Bonhoeffer, denuncia, pode ser vivida como “graça barata”, ou seja, “considerada como mercadoria que está em liquidação, é o perdão desperdiçado, o consolo barateado, o sacramento barateado, é a graça como um armazém da igreja, onde mãos inconsideradas a toma para distribuí-la sem vacilação nem limites, é a graça sem preço, que não custa nada”.


O testemunho dos mártires claretianos, muitos deles jovens com pouco mais de 20 anos de idade, demostra que a radicalidade do seguimento de Cristo, o perdão sem medidas e a cruz como testemunho de fé são realidades que dão vigor à fé cristã.


Beatos mártires claretianos! Rogai por nós!

Por: Padre Eguione Nogueira,cmf

Sobre o autor

Padre Eguione Nogueira

Missionário claretiano, nasceu em Ceres-GO aos 15 de fevereiro de 1987. Ingressou no Seminário Menor da Congregação dos Missionários Claretianos em Pouso Alegre-MG no ano 2002, cursando o Ensino Médio. Entre os anos 2005 e 2007 cursou Filosofia nas Faculdades Claretianas de Batatais-SP. Fez o noviciado na cidade de Cochabamba-Bolívia, onde emitiu os Primeiros Votos Religiosos no ano 2009. Entre os anos 2009 e 2013 cursou Teologia no Studium Theologicum de Curitiba-PR, sendo que em 2011 fez uma experiência apostólica em Moçambique. Foi ordenado presbítero no ano 2014 e destinado a trabalhar na cidade de Contagem-MG como vigário paroquial e auxiliar de formação. Entre 2015 e 2017, estudou Teologia Pastoral na cidade de Madri. Atualmente é Pároco na Paróquia Imaculado Coração de Maria em Curitiba/PR, e professor no Studium Theologicum.