Considerações sobre o período das eleições

“O clima doloroso que estamos vivendo é reflexo da perda de sentido da própria missão neste mundo. A cura para tudo isto está na mudança de vida, no respeito pelo ser humano, na prática do amor cotidiano e sobretudo, amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo.” Pe. Nilton César Boni.

Acredito que 2018 será eternamente marcado como o ano em que as eleições mais influenciaram na personalidade dos eleitores. Com o apogeu das redes sociais e a facilidade em veicular notícias verdadeiras e falsas, os cidadãos se tornaram cabos eleitorais sem nenhum tipo de critérios para defender seu partido e acusar seus opositores.

As redes sociais se tornaram um cenário de caos que em nada difere dos atentados públicos que estamos cansados de presenciar. O sangue só não escorreu porque neste campo todos eram virtuais e se escondiam atrás de suas telas, sentindo-se no direito de dizer qualquer coisa, mesmo que fosse mentira. Mas uma virtualidade que extrapolou os limites da convivência e fez suas vítimas. Inúmeras são as pessoas que trocaram ofensas, irradiaram ódio, intolerância, negatividade e certamente quebraram antigos laços familiares e de amizades.

Mas o que realmente está por detrás de tudo isso? Podemos culpar as eleições, os partidos, os candidatos? A resposta não é tão simples assim. Eles têm sua parcela de culpa, mas a grande verdade é que muitas pessoas vêm guardando os piores sentimentos há muito tempo. Picuinhas, desafetos ignorados, fracassos, indisposição, estresse, ativismo, egoísmo e a falta de cuidado com a própria estima, fizeram com que o pote transbordasse. É mais fácil culpar o cenário eleitoral do que fazer um exame de consciência e reconhecer que grande parte de toda violência vomitada é fruto dos próprios sentimentos reprimidos, não aceitos e tampouco trabalhados. E motivados pela coletividade sentiram que era hora de ativar seu vulcão adormecido.

O clima doloroso que estamos vivendo é reflexo da perda de sentido da própria missão neste mundo. A cura para tudo isto está na mudança de vida, no respeito pelo ser humano, na prática do amor cotidiano e sobretudo, amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo.

Sugiro que cada um aproveite o tempo do advento e se reconcilie com seus sentimentos e emoções e tire esse peso que está ferindo o irmão. Retomemos os conteúdos da nossa fé professada com tanto amor em Cristo e recomecemos um caminho mais fortalecido. Nada será melhor no campo social se a desunião for maior que a capacidade de construirmos a paz. Parafraseando S. Tiago ao afirmar que “a fé sem obras é morta” eu diria que ficar no virtual sem prática é perda de tempo.

Que Deus nos ilumine e nos perdoe.
Paz e bênçãos aos corações de boa vontade!

Pe. Nilton Cesar Boni cmf

Sobre o autor

Padre Niton Cesar Boni

Missionário Filho do Imaculado Coração de Maria - Claretiano. Bacharel em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais/SP e Teologia pelo Studium Theologicum de Curitiba/PR. Pós-graduado em Espiritualidade pela FAVI. É vigário paroquial da Paróquia do Imaculado Coração de Maria e formador dos estudantes de teologia. | Contato: [email protected]

2 Comentários

  • Cláudio Amaral

    Parabéns, Padre Nilton pela reflexão que nos levou a fazer nesta manhã de terça-feira, 13/11/2018.
    Aproveito para agradecer a Amiga Cora Chaves pelo envio do linque que me levou a ler suas considerações.

    Esperamos (eu e minha Sueli) revê-lo em nossa próxima ida a Curitiba.

    Paz e Bem!

    • 08:52 - 13/11/2018

  • Maria Luiza Andraus

    Um chamado à luz…redirecionando cami nho. Deus o abencoe Pe Nilto…cada vez mais!

    • 10:44 - 13/11/2018

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