A contribuição da Igreja na efetivação da ordem democrática

Todos os anos, no período da Quaresma, somos convidados pela Igreja no Brasil a voltar o nosso olhar, orações e ações sobre um determinado tema que, surgindo das necessidades eclesiais e sociais, nos ajuda a fazer o itinerário quaresmal de conversão rumo à Páscoa do Senhor.

Este ano, por meio da Campanha da Fraternidade, todos os cristãos católicos recebem como graça a oportunidade de refletir as questões das políticas públicas, compreendendo o que são, onde, como, por quem e para quem são desenvolvidas e, sobretudo, como devemos contribuir, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para que estas políticas sejam meios pelos quais todos os nossos irmãos brasileiros possam ser assistidos em seus direitos e viver em plenitude.

Somos uma sociedade democrática e, justamente por isso, devemos estar cientes da nossa responsabilidade na hora de escolher os nossos representantes. Contudo, nosso compromisso não acaba na escolha. Embora esse seja um ponto fundamental, é apenas o início da nossa contribuição para a transformação e construção de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária.

As ações dos nossos governantes, bem como sua relação com as várias instituições que oferecem serviços e ajudam a governar, devem atender as necessidades da sociedade civil, oferecendo saúde, educação, segurança, trabalho, moradia e igualdade de direitos, e esta, por sua vez, deve estar organizada e atenta de modo que possa cobrar a efetivação dessas ações.

Neste processo, a Palavra de Deus extraída do livro do profeta Isaías: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27) nos ajudará na compreensão da necessidade de promoção do direito e da justiça para que todos possam viver com dignidade. Ao longo da história percebemos que Deus ouve o clamor dos seus filhos que vivem como escravos, oprimidos, sem dignidade e se compadece deles. Seja no Antigo Testamento com a libertação do povo do julgo da escravidão do Egito, seja no Novo Testamento pelo exemplo de Cristo que sendo Deus se faz pobre com os pobres e por eles entregou a sua vida, vemos que o projeto de Deus para a humanidade é de vida em plenitude para todos.

A Igreja como propagadora do amor e da presença de Deus no mundo deve, a exemplo Dele, assumir as causas dos mais necessitados, devolvendo-lhes a vida e a dignidade roubada. Quanto a nós cristãos, só nos resta ouvir o apelo de Deus, presente em Hebreus: diante de “tamanha nuvem de testemunhas em torno de nós, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que nos envolve. Corramos com perseverança na competição que nos é proposta, com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição” (cf. Hb 12,1-2). Em nome do Evangelho de Cristo, invistamos nossas forças na construção de um novo céu e de uma nova terra, onde reinam a justiça e a igualdade.

Deixemos que, pela força do Espírito, o Reino aconteça entre nós! Ainda resta a esperança da fé semeada em nossos corações. Assim, em cada pequena vitória da vida sobre a morte, em cada pessoa que alcance viver com dignidade e em plenitude, celebramos a páscoa do Senhor e testemunhamos que são possíveis um novo céu e uma nova terra onde reinem o direito e a justiça.

Por:
Diego Andrade de Jesus Lelis, CMF

Sobre o autor

Paróquia Imaculado Coração de Maria

[email protected] Avenida Getúlio Vargas, 1193 - Rebouças - Curitiba/PR (41) 3224.9574 - Secretaria Paroquial

4 Comentários

  • Luci Vânia de Santana Matos.

    Sigo Diego em seus artigos e publicacoes que as denominou relíquias de um santo autor..parabéns amigo.

    • 21:36 - 18/03/2019

  • Kleber

    Excelente texto para reflexão. Que alcancemos a dignidade para todos.
    Parabéns, Diego!

    • 09:40 - 19/03/2019

  • Diego

    Obrigado, Vânia. Forte Abraço!
    Obrigado pela companhia de sempre.
    Que o Senhor nos ajude sempre!

    • 11:27 - 19/03/2019

  • Fernando Leite Ferreira

    Excelente!
    Através de um português castiço o autor nos revela verdades incontestáveis. A opção preferencial, não exclusiva, da Igreja para com os pobres ,necessitados e violados na sua dignidade.
    Que esse alerta quaresmal sirva de estímulo , conversão e sobretudo ação para todos nós cristãos .Mas também para a sociedade.
    Que o Senhor nos dê forças nessa caminhada.

    • 20:11 - 21/03/2019

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